Apoiando agricultores familiares no Brasil: mais resiliência, sustentabilidade e oportunidades
Em todo o Brasil, milhões de pequenos produtores trabalham intensamente para sustentar suas famílias, normalmente operando com margens reduzidas e em condições desafiadoras. Secas, enchentes, irregularidade das chuvas e outros eventos climáticos extremos comprometem a estabilidade da produção, enquanto o baixo poder de negociação e a dependência de intermediários limitam a renda. Para propriedades localizadas próximas aos centros urbanos, esses desafios são agravados pela especulação imobiliária, degradação ambiental e infraestrutura insuficiente.
Nesse contexto, a Louis Dreyfus Foundation (LDF), representada no Brasil pelo Instituto Louis Dreyfus (ILD), viabiliza um portfólio de projetos de agricultura familiar no país que combinam práticas agroecológicas e socioambientais, profissionalização e acesso a mercados e créditos. Com o apoio e comprometimento de voluntários da LDC, essas iniciativas buscam fortalecer a resiliência das comunidades rurais, gerando benefícios concretos e melhorando os meios de subsistência.
Fortalecendo a cadeia de valor de espécies nativas do Cerrado
Na região do Cerrado, a LDF atua em parceria com VBio e CEDAC, por meio de um projeto chamado Cerrado Sustentável, apoiando agricultores familiares que cultivam espécies nativas e outros alimentos. O projeto atualmente envolve 436 produtores, organizados em 39 núcleos comunitários, com forte participação de produtoras mulheres.
A iniciativa busca fortalecer a resiliência de longo prazo, apoiando melhorias na saúde do solo, a diversificação produtiva e o acesso a mercados que valorizam produtos sustentáveis de origem nativa. Muitas das propriedades participantes são de pequeno porte (em média cerca de 13 hectares) e utilizam uma combinação de grãos, frutas, hortaliças e espécies nativas para aumentar a renda familiar.
O projeto permite também que produtores fortaleçam gradualmente sua posição no mercado. Mais de 300 já comercializam seus produtos por meio da Plataforma Solidária, o que contribui para uma rentabilidade mais estável e menor dependência de intermediários. Paralelamente, os processos para certificação de orgânicos estão avançando, com 67 propriedades já certificadas ou em transição, reforçando uma gestão ambiental responsável e a valorização dos produtos.
A adoção de práticas sustentáveis já demonstrou seus primeiros resultados concretos. Os agricultores participantes relataram aumento de produtividade tanto nas culturas alimentares quanto nas espécies nativas, com algumas apresentando uma média de melhorias de até 20%. Ao mesmo tempo, a renda aumentou significativamente, especialmente para produtos de maior valor agregado do Cerrado, como o baru e a faveira, que ampliaram a receita em 40% a 50% em comparação aos níveis anteriores ao projeto.

“Nossa renda aumentou devido ao valor agregado dos produtos certificados, permitindo acessar novos mercados, enquanto diversificamos e organizamos melhor a produção. O planejamento melhorou, e nossa qualidade de vida também. Além disso, a comercialização estruturada facilitou levar nossa produção ao mercado, garantindo preços justos e mais segurança nas vendas, especialmente de produtos certificados. Isso trouxe mais estabilidade financeira e melhor qualidade de vida.”
Maria Adenilde de Andrade, agricultora de Urucuia (MG).
Próximos passos
No próximo ano, o projeto planeja ampliar e fortalecer os programas de certificação, a segurança hídrica e o intercâmbio técnico entre produtores. O foco será consolidar esses bons resultados, garantindo que a sustentabilidade ambiental esteja alinhada à viabilidade econômica da agricultura familiar.
Apoiando pequenos produtores de soja no Sul por meio de boas práticas agrícolas
A produção de soja é de extrema importância para o agronegócio brasileiro. No entanto, pequenos produtores enfrentam dificuldades para atender às crescentes exigências socioambientais e acessar crédito em condições adequadas. Em parceria com a Abiove e cooperativas locais no Rio Grande do Sul, o projeto Agro Plus, por meio do LDF, apoia 120 pequenos produtores por meio de um programa voltado à adoção de Boas Práticas Agrícolas (BPA), conformidade e redução de riscos.
Desde o início das atividades, em 2025, o projeto tem se concentrado no diagnóstico das propriedades e em planos de ação personalizados, apoiando os agricultores na identificação de lacunas em infraestrutura, documentação e gestão ambiental. Além disso, as análises de solo e as visitas técnicas orientam melhorias práticas no manejo agronômico e uso de insumos.
A capacitação das equipes técnicas das cooperativas, promovidas pela Fundação, fortaleceu os conhecimentos sobre o uso responsável de insumos agrícolas, manejo integrado de pragas e a segurança do trabalho, elementos fundamentais tanto para atuar em conformidade quanto para a resiliência produtiva.
Como parte do programa nacional da Agro Plus, a iniciativa é reconhecida pelo Governo Federal como um programa oficial de promoção de Boas Práticas Agrícolas. Esse reconhecimento permite que os produtores participantes acessem condições diferenciadas de crédito rural, vinculando diretamente melhores práticas à inclusão financeira.

“Graças ao projeto, estamos cuidando melhor do solo e estamos mais preparados para enfrentar condições climáticas adversas, como secas ou chuvas intensas. Com o apoio técnico, conseguimos tomar decisões mais assertivas sobre adubação e manejo. Também estamos adotando novas práticas, como culturas de cobertura, que ajudam a proteger e manter a saúde do solo. Além disso, melhoramos a organização da propriedade e entendemos melhor os requisitos legais e de segurança. O acompanhamento técnico constante nos dá mais confiança e acreditamos que essas mudanças tornarão nossa produção mais estável e nossa vida melhor.”
Renata Favaretto, agricultora de Tunas (RS)
Próximos passos
As visitas técnicas e os treinamentos continuarão apoiando os produtores no avanço das práticas de compliance e na adoção de princípios de agricultura regenerativa, com foco em ganhos de produtividade, estabilidade de renda e desempenho ambiental.
Fortalecendo a agricultura familiar no Cinturão Verde de São Paulo
Em São Paulo, a LDF atua em parceria com a Agrisud International para apoiar agricultores familiares em Mogi das Cruzes, região do cinturão verde metropolitano do estado, estratégica para o abastecimento alimentar, mas marcada por vulnerabilidade social, riscos de enchentes e pressão urbana. O projeto prevê atender 100 propriedades ao longo de três anos, combinando capacitação agroecológica com soluções voltadas à inserção no mercado.
Com base em experiências piloto anteriores, o projeto está ampliando sua atuação por meio de:
- capacitação técnica e em gestão, apoiando melhorias produtivas e decisões econômicas;
- apoio direto (insumos e equipamentos de pequeno porte) para reduzir riscos durante transições;
- criação de plataformas multissetoriais, integrando produtores, organizações, assistência técnica e compradores.
Essa abordagem integrada reconhece que mudanças no nível da propriedade precisam ser acompanhadas por melhorias estruturais para gerar impacto duradouro.

“Antes de entrar no projeto, eu levava até duas horas por dia para irrigar tudo manualmente. O técnico agrícola me ensinou algumas técnicas para melhorar o controle da água e tornar a irrigação mais automatizada, e hoje consegui reduzir esse tempo para apenas 30 minutos por dia. Além disso, durante os treinamentos sobre manejo do solo, percebi que aplicar mais fertilizante nem sempre deixa as plantas mais saudáveis ou com melhor aparência. Isso me frustrava bastante, porque eu investia um valor considerável no solo, mas nem sempre via resultados. Hoje consigo fazer uma gestão muito mais eficiente, alcançando melhores resultados com menor custo.”
Luzia Santos, agricultora de Mogi das Cruzes (SP)
Impacto esperado
Ao final do projeto, espera-se que as propriedades apresentem aumento de produção, melhores margens e maior acesso a mercados, com ampla adoção de práticas agroecológicas. O projeto também seguirá promovendo parcerias locais de longo prazo, contribuindo para o fortalecimento da agricultura familiar.
Uma visão compartilhada sobre os pequenos agricultores no Brasil
Esses projetos da LDF no Brasil partem do entendimento de que a capacidade dos pequenos agricultores de se manterem produtivos e sustentáveis ao longo do tempo depende da interação entre as práticas agrícolas, o acesso a mercados e a organização local. Seja no Cerrado, nas regiões produtoras de soja do Rio Grande do Sul ou nas áreas periurbanas ao redor de São Paulo, o trabalho da Fundação se concentra no apoio técnico direcionado, combinando esforços para enfrentar desafios estruturais de longo prazo, como a conservação da vegetação nativa.
Por meio dessa atuação, a LDF busca apoiar os produtores na melhoria de suas práticas produtivas, no atendimento às exigências do mercado e no fortalecimento de suas conexões com mercados e fontes de financiamento. Dentro dessa abordagem, os pequenos produtores são posicionados como protagonistas nos sistemas alimentares do Brasil, com foco em ampliar sua capacidade de adaptação e na sua continuidade ao longo do tempo.
Essas iniciativas também contam com o engajamento voluntário de colaboradores da Louis Dreyfus Company no Brasil, que contribuem com seu tempo, experiência e conhecimento local. Atuando como importantes pontos de conexão entre a Fundação e os parceiros implementadores, eles ajudam a facilitar a comunicação, apoiar os esforços de coordenação e superar desafios de forma ágil e sensível ao contexto local. Sua participação fortalece a implementação e os resultados dos projetos, ao mesmo tempo em que promove parcerias mais sólidas e um senso compartilhado de compromisso entre todos os envolvidos. Ao conectar as realidades locais ao engajamento corporativo, esses voluntários desempenham um papel relevante no apoio ao sucesso e à sustentabilidade de longo prazo do trabalho da LDF no Brasil.